Minha infância foi uma simulação?
Não se assuste, eu não vivi em uma simulação, pelo menos é o que eu acho, rs. No entanto, minha relação com as simulações na infância foi bem íntima. Sempre fui fascinado por futebol. Era uma briga em casa para assistir aos jogos do São Paulo no domingo, às 16h, enquanto minha mãe queria ver os programas simultâneos da Record ou do SBT. Ou, então, meu jogo coincidia com o do Flamengo, time do meu pai. Sem contar que, para a Globo ou a Band transmitirem os jogos do São Paulo, também era uma luta, já que havia 4 times do RJ e 4 de SP para apenas dois locais de transmissão.
Enfim, o futebol sempre me encantou. A complexidade do jogo, as inúmeras possibilidades e a imprevisibilidade eram fatores que me fascinavam. Aliás, eu me perguntava: qual seria o resultado do jogo antes de acontecer? Seria um 3 a 0, com gols de Kaká, Rogério Ceni e Luis Fabiano, ou um infeliz 0 a 0? É comum fazermos palpites sobre o placar antes da partida, mas com base em quê? Na maioria das vezes, em nossa opinião clubista, otimista e nada precisa, rs! Mas e se pudéssemos fundamentar melhor esses palpites? Perceba que, ao sugerir um 3x0, fiz uma breve simulação baseada em nada além da minha imaginação. Mas, e se eu pudesse me basear em algo mais concreto? Os fatos e dados estão aí para nos ajudar!
A simulação!
Mas, antes de entrarmos mais a fundo nesse assunto, onde estão as simulações na minha infância? Onde está a “Matrix” que citei no início? Quando crianças, sempre temos algumas brincadeiras que nos ajudam a passar o tempo e aproveitar a infância. Uma que me recordo bastante é quando, raramente, tinha a oportunidade de jogar um PlayStation 2 em uma Lan House, na casa do meu primo ou do meu amigo. E o que eu jogava? Futebol. Não gostava de outros jogos; futebol era meu hiperfoco.
Porém, nem sempre tinha essa oportunidade. Assim, idealizei uma forma de sempre poder jogar e simular minhas partidas de futebol. Primeiro, peguei alguns álbuns das Copas do Mundo para ver as bandeiras das seleções e, então, desenhei e colori grande parte delas. Depois, as recortei, criando pequenas “cartinhas” de cerca de 2 cm de altura e 4 cm de largura.
Pois bem, já tendo as seleções, agora eu precisava de uma maneira de definir os placares dos confrontos entre elas e realizar minha primeira Copa do Mundo pessoal, dentro de casa. E aí vem a solução. Um dos meus brinquedos favoritos na infância eram cartas; eu colecionava de vários tipos: Yu-Gi-Oh!, Pokémon, Naruto, etc. Entre elas, havia algumas que não tinham tanta “vida” quanto essas, como as de UNO e baralho. Porém, mal sabia eu que elas poderiam dar vida aos resultados dos meus torneios.
Com uma base intuitiva de futebol, peguei as cartas do UNO, selecionando 8 cartas de número 0, 8 de número 1, 8 de número 2, 5 de número 3, 4 de número 4, e 1 de número 5. Pronto, eu tinha em mãos uma distribuição (falarei um pouco mais adiante) para poder sortear os resultados dos jogos.
Depois disso, realizei mais de 10.000 torneios, “desperdicei” 1.000 horas da minha infância e vi inúmeras seleções e times (mais tarde, desenhei também uniformes de clubes, além dos tradicionais brasileiros. Lembro de alguns, como a Portuguesa e o América, cujas cores dos uniformes eu adorava, e até times internacionais como Barcelona e Milan) sendo campeões.
É claro que não considero isso uma perda de tempo, falo isso de brincadeira. E, claro, os números talvez não sejam os mais precisos, rs, mas essa atividade me divertiu muito na época. Realmente, passei horas me entretendo. Inclusive, não há dinheiro que pague uma volta para aquele tempo.